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Pesquisas confirmam que amianto não tem causado problemas à população e ao trabalhador

Apresentação foi feita, nesta quinta-feira, em Campinas, por pesquisadores da USP, Unicamp e Unifesp, a empresários, trabalhadores e autoridades


Pesquisas inéditas no Brasil, realizadas por pesquisadores da USP, Unifesp e Unicamp, apresentadas nesta quinta-feira, dia 24 de novembro, em Campinas, atestam que o amianto crisotila, utilizado de forma segura e responsável, como tem sido feito no País, há mais de 25 anos, não tem causado problemas à saúde da população e dos trabalhadores que atuam no setor. A apresentação da pesquisa foi feita pelos
professores doutores Mário Terra Filho (Incor – USP), Ericson Bagatin (Unicamp) e Luiz Eduardo Nery (Unifesp), no Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Serviço de Saúde de Campinas e Região (SINSAÚDE), numa iniciativa do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção, Mobiliário, Ceramistas, Ladrilhos, Hidráulicos e produtos de cimento de Capivari e Região (SINTRACICAP) e da Comissão Nacional dos Trabalhadores do Amianto (CNTA), para um público formado por lideranças sindicais, empresários, trabalhadores e autoridades, entre elas juízes, prefeitos, vereadores e lideranças municipais e imprensa. Além do presidente da Feticom, Emílio Alves Ferreira Júnior, os diretores Robinson Leme, Milton Costa e Edson Batista dos Santos também acompanharam a apresentação e ficaram satisfeitos com os resultados.

A pesquisa , denominada “Exposição Ambiental ao Asbesto: Avaliação do Risco e Efeitos na Saúde”, mostra que a população que reside em residências cobertas com telhas com fibrocimento e amianto crisotila não registra problemas de saúde, em função do mineral, assim como trabalhadores da mineração, que atuam no setor a partir da década de 80, quando foi implantado o uso seguro e responsável, coordenado pelos próprios trabalhadores. Para Emílio, que também é presidente da CNTA (Comissão Nacional dos Trabalhadores do Amianto), esse estudo só ratifica a posição da entidade de defender o uso seguro e responsável do amianto pelos trabalhadores, enquanto que o presidente da Fitac (Federação Internacional dos Trabalhadores do Amianto Crisotila) e vice-presidente da CNTA, Adilson Conceição Santana, ressaltou que “fiquei muito satisfeito com o resultado. Mostrou que estamos no caminho certo, que é o controle do uso do amianto pelos trabalhadores, garantido no Acordo Nacional, firmado entre trabalhadores e empresários, avalizado pelo governo”.

A pesquisa foi realizada ao longo dos últimos cinco anos, nas regiões metropolitanas de São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, Goiás e Pernambuco, examinando moradores de habitações cobertas com telhas de fibrocimento contendo amianto em cada região. Foram selecionados moradores com mais de 20 anos sob coberturas de amianto e que não tivessem outras causas de exposição às fibras. A pesquisa focou residências com telhados em situações de deterioração, denominadas de “cenário crítico”, para avaliar os riscos à população, concluindo que não existe pelo baixo nível de fibras no ar, que chega ter concentração menor do que em centros urbanos.

Já no setor produtivo foram pesquisados trabalhadores e ex-trabalhadores da mineração com mais de 25 anos de exposição ao amianto. As avaliações dos entrevistados se deram por exames clínicos e radiológicos (raio-X e tomografia computadorizada do tórax), além de prova de função pulmonar (espirometria).

Os resultados do estudo indicam que a concentração ambiental intra e extra-domiciliar às fibras de amianto, nos conglomerados estudados, encontra-se dentro dos limites aceitáveis de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS) e nos mesmos patamares de países desenvolvidos, não sendo registrado nenhum caso de trabalhador que passou a atuar na atividade, a partir de 1980, que apresentasse problemas de saúde em função de atuar com o amianto crisotila. Esta pesquisa fez comparação com uma realizada entre 1997 a 2000, em que foram estudados trabalhadores que atuaram na atividade entre 1940 e 1966 (mina de Poções, na Bahia); 1967 e 1976; 1977 a 1980 e após 1981, e constatou problemas de saúde somente nos que trabalharam quando a atividade não tinha controle, o que ocorreu até 1980.

No caso da pesquisa realizada em residências, de acordo com o doutor Ericson Bagatin, coordenador executivo dos estudos, “não foram observadas evidências de acometimento clínico e funcional respiratório ou tomográfico passíveis de atribuição à exposição das fibras de amianto”. O pesquisador explica que isto se dá porque as fibras do mineral permanecem amalgamadas na matriz de cimento, principal matéria-prima das telhas e caixas d'água, fazendo com que o amianto não se desprenda, conforme já demonstrou o IPT – Instituto de Pesquisa Tecnológica do Estado de São Paulo.

Segundo Bagatin, a iniciativa da pesquisa resultou da constatação de inexistir estudos nacionais ou internacionais para avaliar riscos à saúde por uso de telhas com fibras de amianto em sua composição. Ao mesmo tempo, é uma forma de prestar contas à sociedade, sobre os efeitos do produto sobre a saúde dos usuários.

A pesquisa foi aprovada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), sob número 420001/2006-9, e contou com apoio do Governo de Goiás, CT - Mineral e do Instituto Brasileiro do Crisotila (IBC).

 

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