Garantir a valorização dos trabalhadores que atuam no setor da construção civil e do mobiliário no Estado de São Paulo, desde o oferecimento de cursos de qualificação, mais saúde e segurança e maior valorização da categoria. Estas foram as principais ações tiradas pela diretoria executiva da Federação dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção e do Mobiliário no Estado de São Paulo (Feticom-SP), em reunião que aconteceu nesta quarta-feira, dia 6 de janeiro, em Piracicaba , no Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção e do Mobiliário de Piracicaba . A Feticom-SP representa cerca de 1.300 mil trabalhadores no Estado e aproximadamente 15 mil em Piracicaba e região.
O presidente da Feticom-SP, Emílio Alves Ferreira Júnior, destaca que o setor não sabe o que é desemprego e que foi um dos principais responsáveis para evitar que o País fosse atingido pela crise econômica mundial, mas que os trabalhadores não têm tido o devido reconhecimento do empresariado. Como exemplo disso, ele cita que só na cidade de São Paulo ocorreram 22 acidentes fatais no ano passado, enquanto que no Interior do Estado aproximadamente 30, contra 62 no ano de 2007 em todo Estado, e 15 na capital em 2008. “Esses números mostram a necessidade de um maior investimento no trabalhador que atua neste setor, não só em termos salariais, mas na sua qualificação, voltada também para as questões relacionadas à saúde e segurança. Os acidentes só ocorrem por falta de estrutura e qualificação dos trabalhadores. Vêm aí às eleições gerais deste ano, a Copa do Mundo, as Olimpíadas, e isso implica em aceleração das obras e maior exigência do trabalhador, que precisa estar preparado”, destaca.
O presidente da Feticom explica que além da qualificação e valorização do trabalhador, há a necessidade de reforçar as ações nos canteiros de obras, num trabalho que deve envolver, além dos sindicatos, o empresariado e o Ministério do Trabalho, para averiguar as condições de trabalho. “Infelizmente, faltam auditores fiscais para desenvolver estas ações. Na região de Itapeva , por exemplo, não há nenhum auditor fiscal. Já conversamos com o superintendente do Ministério do Trabalho no Estado, José Roberto de Melo, solicitando o reforço no número de auditores”, conta.
Emílio também diz que no final deste mês terá encontro com o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, quando pretende discutir a ampliação dos cursos de qualificação para o setor, o que já vem sendo discutido com o Sinduscon, que também defende esta mesma tese. “O setor sente a falta de mão-de-obra e esperamos que a Fiesp, que sempre voltou seus cursos para o setor metalúrgico, também passe a oferecer para a construção civil. Com o trabalhador qualificado, todos ganham, inclusive o trabalhador, que pode reivindicar melhor remuneração”, completa.
Milton Costa, que é diretor de Formação da Feticom-SP e do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção e do Mobiliário em Piracicaba , diz que o setor tem que passar a ser tratado com prioridade no plano nacional de qualificação, uma vez que tem sido decisivo na geração de emprego e no desenvolvimento do País. “Hoje há falta de mão-de-obra no setor, inclusive de ajudantes. Por isso, entendemos que se dê possibilidade a esta cadeia produtiva e o ambiente de trabalho deste setor passe a ser tratado com prioridade. Queremos que sejam oferecidos cursos de qualificação nos próprios canteiros de obras, onde estão os trabalhadores que têm sido as maiores vítimas”, completa. |