| Desemprego estável e aumento de rendimentos
A taxa de desemprego para o conjunto de regiões onde é realizada a Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED) através do convênio entre DIEESE e Fundação Seade com o apoio do Ministério do Trabalho e Emprego e parceria com instituições e governos regionais permaneceu, em abril, em 15,0%, patamar idêntico ao apurado em março. Em comparação com abril de 2007 - quando a taxa equivalia a 16,9% - houve recuo de 11,2%.
O número de desempregados foi estimado em 2,966 milhões de pessoas nas seis áreas pesquisadas (regiões metropolitanas de São Paulo, Belo Horizonte, Salvador, Recife, Porto Alegre e no Distrito Federal), o que representa uma redução de 3 mil pessoas no contingente de desempregados. Esta estabilidade no mercado de trabalho é um comportamento inesperado para o período, uma vez que habitualmente a taxa de desemprego e o total de desempregados tende a aumentar neste mês. Vinte mil pessoas foram incorporadas à força de trabalho em abril, enquanto 22 mil indivíduos conseguiram uma ocupação, o que resultou na estabilidade apurada. A População Economicamente Ativa do conjunto de regiões chegou a 19,811 milhões pessoas e o total de ocupados somou 16,845 milhões. Na comparação com março do ano passado, a PEA teve aumento de 623 mil pessoas, enquanto o número de ocupados cresceu em 895 mil pessoas. Como resultado, em abril último o total de desempregados reduziu-se em 272 mil.
Indústria (30 mil postos) e Serviços (50 mil ocupações) foram os setores determinantes para que o nível de ocupação tivesse comportamento positivo em abril, uma vez que houve fechamento de vagas no Comércio (23 mil), Construção Civil (20 mil) e nos Outros Setores (15 mil). Em 12 meses, a Construção Civil apresentou um crescimento de 11,3%, ainda que em abril tenha havido retração de 2,1%. Outro destaque foi a Indústria, que gerou em um ano, 252 mil empregos, com um incremento de 10,2%.
Quando se considera a posição na ocupação, os dados da PED mostram que foi mantida a tendência à formalização do mercado de trabalho, com a geração de 14 mil empregos com carteira assinada no setor privado e de 37 mil no setor público. Em 12 meses, o assalariamento com vínculo formal cresceu 9,4% e houve retração de 2,1%, no emprego doméstico.
Com relação aos rendimentos, de fevereiro para março houve crescimento de 1,8%, para os ocupados, com seu valor chegando a R$ 1.121, na média das regiões acompanhadas. Para os assalariados o incremento foi de 2,5%, e seu valor médio chegou a R$ 1.205. Em relação a março do ano passado, houve crescimento de 3,1%.
Clique PED metropolitana para ler os dados do conjunto das regiões pesquisadas.
Comportamento das regiões
Dentre as seis regiões acompanhadas pela PED, a taxa de desemprego cresceu, em abril, no Distrito Federal (passou de 18,2% para 18,4%), em Porto Alegre (variou de 11,7% para 12,0%) e em Recife (a taxa subiu de 19,8% para 20,1%). Por outro lado, houve recuo em Belo Horizonte (passou de 11,4% para 11,2%), São Paulo (reduziu-se de 14,3% para 14,2%) e em Salvador (de 21,0% para 20,8%). As taxas de abril deste ano são sempre inferiores às de igual mês, em 2007. A maior queda (de 17,0%) ocorreu em Belo Horizonte e a menor em Recife (-2,9%).
O nível de ocupação cresceu em São Paulo (0,9%) e permaneceu relativamente estável no Distrito Federal (0,1%) e em Porto Alegre (- 0,2%). Houve queda em Belo Horizonte (-1,4%), Salvador (-0,8%) e Recife (-0,5%). Em 12 meses, houve crescimento em todas as regiões, ainda que com intensidade variável: 7,1%, em Porto Alegre; 6,4%, em São Paulo; 6,2%, no Distrito Federal; 5,4%, em Salvador; 3,1%, em Recife e 2,9%, em Belo Horizonte.
O comportamento do rendimento médio real dos ocupados foi diferenciado entre as regiões: aumentou em São Paulo (3,8%, passando a valer R$ 1.202), permaneceu constante no Distrito Federal (R$ 1.643) e diminuiu em Porto Alegre (1,5%, R$ 1.016); Belo Horizonte (1,1%, R$ 1.028); Salvador (1,0%, R$ 886) e Recife (0,6%, R$ 704). Em 12 meses, foi verificado crescimento nos rendimentos na maior parte das regiões pesquisadas: 10,9%, em Salvador; 7,9%, no Distrito Federal; 3,6%, em Belo Horizonte; 2,4%, em Recife e 2,2%, em São Paulo. Apenas em Porto Alegre foi apurada queda de 1,8%.
Acesse Regionais para ver os dados detalhados de cada uma das regiões
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| Saúde e Alimentos respondem pela inflação de abril
Em abril, o custo de vida no município de São Paulo apresentou alta de 0,42%, o que representa uma pequena redução - de 0,03 ponto percentual (pp) - em relação à taxa de março (0,45%). O cálculo é do DIEESE - Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos -, que aponta os aumentos ocorridos nos grupos Saúde (1,07%) e Alimentação (0,55%) como os que mais contribuíram para este resultado, com um impacto de 0,30 pp na taxa do mês.
Variação por estrato - Além do índice geral, o DIEESE calcula ainda mais três indicadores de inflação, segundo tercis da renda das famílias paulistanas. Em abril, a taxa de inflação foi semelhante entre os três estratos de renda. O estrato 1, que corresponde à estrutura de gastos de 1/3 das famílias mais pobres (renda média = R$ 377,49*), apresentou a maior variação (0,47%); o estrato 2 (0,40%), que contempla os gastos das famílias com nível intermediário de rendimento (renda média = R$ 934,17*) registrou a menor taxa e o 3º estrato (0,42%), que reúne famílias de maior poder aquisitivo (renda média = R$ 2.792,90*), apontou taxa equivalente à média.
Taxas acumuladas - Nos últimos 12 meses - entre maio de 2007 e abril de 2008 - o ICV-DIEESE acumula alta de 4,70%. Ao se considerar os diferentes estratos, estas taxas são decrescentes segundo a renda familiar: 5,82%, para o estrato 1; 4,86%, para o estrato 2; e 4,34%, para o estrato 3. Nos primeiros quatro meses deste ano a inflação foi de 1,73%. Porém, são observadas diferenças entre os estratos de renda, com taxa maior para as famílias de maior poder aquisitivo (1,83%); seguido pelo estrato 1 (1,72%) e a menor variação registrada para famílias com nível intermediário de rendimento (1,54%).
O aumento dos alimentos - Entre janeiro de 2005 e abril deste ano, enquanto o ICV-DIEESE subiu 14,3%, os alimentos aumentaram 20,3%. Até junho de 2007, porém, o Índice Geral acumulado era superior ao do grupo Alimentação. A partir de então, o comportamento se inverteu e a alta dos alimentos chegou a superar o índice em 6,5 pp. Apenas poucos produtos são responsáveis por este desempenho: feijão, carne bovina, leite in natura e em pó, arroz, óleo, farinha de trigo, massas e pão francês.
Leia aqui a íntegra do ICV-DIEESE de abril
Acesse aqui O preço dos alimentos nos últimos 3 anos e 4 meses
* Os níveis de rendimento referem-se aos valores definidos para junho de 1996, quando da implantação da atual ponderação do ICV
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