maio/2008

Desemprego estável e aumento de rendimentos

A taxa de desemprego  para o conjunto de regiões onde é realizada a Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED) através do convênio entre DIEESE e  Fundação Seade com o apoio do Ministério do Trabalho e Emprego e parceria com instituições e governos regionais permaneceu, em abril, em 15,0%, patamar idêntico ao apurado em março.  Em comparação com abril de 2007 - quando a taxa equivalia a 16,9% - houve recuo de 11,2%.

O número de desempregados foi estimado em 2,966 milhões de pessoas nas seis áreas pesquisadas (regiões metropolitanas de São Paulo, Belo Horizonte, Salvador, Recife, Porto Alegre e no Distrito Federal), o que representa uma redução de 3 mil pessoas no contingente de desempregados. Esta estabilidade no mercado de trabalho é  um comportamento inesperado para o período, uma vez que habitualmente a taxa de desemprego e o total de desempregados tende a aumentar neste mês. Vinte mil pessoas foram incorporadas à força de trabalho em abril, enquanto 22 mil indivíduos conseguiram uma ocupação, o que resultou na estabilidade apurada.  A  População Economicamente Ativa do conjunto de regiões chegou a 19,811 milhões pessoas e o total de ocupados somou 16,845 milhões. Na comparação com março do ano passado, a PEA teve aumento de 623 mil pessoas, enquanto o número de ocupados cresceu em 895 mil pessoas. Como resultado, em abril último o total de desempregados reduziu-se em 272 mil.

Indústria (30 mil postos) e Serviços (50 mil ocupações) foram os setores determinantes para que o nível de ocupação tivesse comportamento positivo em abril, uma vez que houve fechamento de vagas no Comércio (23 mil), Construção Civil (20 mil) e nos Outros Setores (15 mil). Em 12 meses, a Construção Civil apresentou um crescimento de 11,3%, ainda que em abril tenha havido retração de 2,1%. Outro destaque foi a Indústria, que gerou em um ano, 252 mil empregos, com um incremento de 10,2%.

Quando se considera a posição na ocupação, os dados da PED mostram que foi mantida a tendência à formalização do mercado de trabalho, com a geração de 14 mil empregos com carteira assinada no setor privado e de 37 mil no setor público. Em 12 meses, o assalariamento com vínculo formal cresceu 9,4% e houve retração de 2,1%, no emprego doméstico.

Com relação aos rendimentos, de fevereiro para março houve crescimento de 1,8%, para os ocupados, com seu valor chegando a  R$ 1.121, na média das regiões acompanhadas. Para os assalariados o incremento foi de 2,5%, e seu valor médio chegou a R$ 1.205.  Em relação a março do ano passado, houve crescimento de 3,1%. 

Clique PED metropolitana para ler os dados do conjunto das regiões pesquisadas.

Comportamento das regiões

Dentre as seis regiões acompanhadas pela PED, a taxa de desemprego cresceu, em abril,  no Distrito Federal (passou de 18,2% para 18,4%), em Porto Alegre (variou de 11,7% para 12,0%) e em Recife (a taxa subiu de 19,8% para 20,1%). Por outro lado, houve recuo em Belo Horizonte (passou de 11,4% para 11,2%), São Paulo (reduziu-se de 14,3% para 14,2%) e em Salvador (de 21,0% para 20,8%). As taxas de abril deste ano são sempre inferiores às de igual mês, em 2007. A maior queda (de 17,0%) ocorreu em Belo Horizonte e a menor em Recife (-2,9%).

O nível de ocupação cresceu em São Paulo (0,9%) e permaneceu relativamente estável no Distrito Federal (0,1%) e em Porto Alegre (- 0,2%).  Houve queda em  Belo Horizonte (-1,4%), Salvador (-0,8%) e Recife (-0,5%).   Em 12 meses, houve crescimento em todas as regiões, ainda que com intensidade variável: 7,1%, em Porto Alegre; 6,4%, em São Paulo; 6,2%, no Distrito Federal; 5,4%, em Salvador;  3,1%, em Recife e 2,9%, em Belo Horizonte.

O comportamento do rendimento médio real dos ocupados foi diferenciado entre as regiões: aumentou em São Paulo (3,8%, passando a valer R$ 1.202), permaneceu constante no Distrito Federal (R$ 1.643) e diminuiu em Porto Alegre  (1,5%, R$ 1.016);  Belo Horizonte (1,1%, R$ 1.028); Salvador (1,0%, R$ 886) e Recife (0,6%, R$ 704).  Em 12 meses,  foi verificado crescimento nos rendimentos na maior parte das regiões pesquisadas: 10,9%, em Salvador; 7,9%, no Distrito Federal; 3,6%, em Belo Horizonte; 2,4%, em Recife e 2,2%, em São Paulo. Apenas em Porto Alegre foi apurada queda de 1,8%. 

Acesse Regionais para ver os dados detalhados de cada uma das regiões


Número 40 - Maio/2008

CLÁUSULAS SELECIONADAS
JORNADA DE TRABALHO
2006-2007

O DIEESE divulga - exclusivamente para as entidades filiadas - o Estudos e Pesquisas de nº 40, Cláusulas selecionadas - Jornada de Trabalho - 2006-2007 elaborado com informações extraídas do Sistema de Acompanhamento de Contratações Coletivas (SACC). Este estudo tem por objetivo subsidiar as entidades sindicais nos processos de negociação coletiva, em especial na elaboração de pautas reivindicatórias e argumentação nas mesas de negociação. 

Implantado em 1993, o SACC-DIEESE armazena informações sobre contratos coletivos de trabalho paradigmáticos para as negociações coletivas no Brasil em nível nacional, regional e setorial. O sistema possibilita o registro de todas as cláusulas constantes dos documentos selecionados para composição do painel acompanhado, bem como das principais características da negociação. Atualmente, este painel é composto por 226 unidades de negociação, que abrangem cerca de 50 categorias profissionais e 16 unidades da Federação.

No presente relatório, o segundo de uma série que teve início em 2007 e terá prosseguimento no decorrer de 2008, estão relacionadas cláusulas selecionadas entre os documentos constantes do SACC-DIEESE que tratam da Jornada de Trabalho.
Para a seleção das cláusulas, definiu-se que a pesquisa seria realizada nos documentos relativos aos anos de 2006 e 2007. Foram considerados 132 instrumentos normativos assinados em 2007 e 72 assinados em 2006, totalizando 204 acordos e convenções coletivas de trabalho. As cláusulas apresentadas tratam de todas as questões relacionadas à jornada: tempo de trabalho, flexibilização, compensação, férias, licenças, etc.

Saúde e Alimentos respondem pela inflação de abril

Em abril, o custo de vida no município de São Paulo apresentou alta de 0,42%, o que representa uma pequena redução - de 0,03 ponto percentual (pp) - em relação à taxa de março (0,45%). O cálculo é do DIEESE - Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos -, que aponta os aumentos ocorridos nos grupos Saúde (1,07%) e Alimentação (0,55%) como os que mais contribuíram para este resultado, com um impacto de 0,30 pp na taxa do mês.

Variação por estrato -  Além do índice geral, o DIEESE calcula ainda mais três indicadores de inflação, segundo tercis da renda das famílias paulistanas. Em abril, a taxa de inflação foi semelhante entre os três estratos de renda. O estrato 1, que corresponde à estrutura de gastos de 1/3 das famílias mais pobres (renda média = R$ 377,49*), apresentou a maior variação (0,47%); o estrato 2 (0,40%), que contempla os gastos das famílias com nível intermediário de rendimento (renda média = R$ 934,17*) registrou a menor taxa e o 3º estrato (0,42%), que reúne famílias de maior poder aquisitivo (renda média = R$ 2.792,90*), apontou taxa equivalente à média.

Taxas acumuladas - Nos últimos 12 meses - entre maio de 2007 e abril de 2008 - o ICV-DIEESE acumula alta de 4,70%. Ao se considerar os diferentes estratos, estas taxas são decrescentes segundo a renda familiar: 5,82%, para o estrato 1; 4,86%, para o estrato 2;  e 4,34%, para o estrato 3. Nos primeiros quatro meses deste ano a inflação foi de 1,73%. Porém, são observadas diferenças entre os estratos de renda, com taxa maior para as famílias de maior poder aquisitivo (1,83%);  seguido pelo estrato 1 (1,72%) e a menor variação registrada para famílias com nível intermediário de rendimento  (1,54%).

O aumento dos alimentos - Entre janeiro de 2005 e abril deste ano, enquanto o ICV-DIEESE subiu 14,3%, os alimentos aumentaram 20,3%. Até junho de 2007, porém, o Índice Geral acumulado era superior ao do grupo Alimentação. A partir de então, o comportamento se inverteu e a alta dos alimentos chegou a superar o índice em 6,5 pp. Apenas poucos produtos são responsáveis por este desempenho: feijão, carne bovina, leite in natura e em pó, arroz, óleo, farinha de trigo, massas e pão francês.



Leia aqui a íntegra do ICV-DIEESE de abril

Acesse aqui O preço dos alimentos nos últimos 3 anos e 4 meses

* Os níveis de rendimento referem-se aos valores definidos para junho de 1996, quando da implantação da atual ponderação do ICV

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