Analistas argumentam que a Selic em queda e a inflação menor obrigam a baixar rendimento da caderneta.
A poupança escapou de mudanças mais amplas por enquanto, mas a tendência é que seu rendimento diminua para todos, sem limite de aplicação.Segundo economistas, isso deve ocorrer porque a realidade do país caminha hoje para um cenário de inflação e taxa Selic baixos. Algo muito diferente do que ocorria décadas atrás, quando foi determinado por lei que a poupança deveria render no mínimo 6% ao ano mais TR.
Para o economista Roberto Vertamatti, conselheiro da Anefac, o rendimento da poupança deve ficar em torno de 2% a 3% ao ano. “Isso não é para agora, mas a medida em que a Selic baixar e estivermos no nível de países desenvolvidos será inevitável”, afirma.
De acordo com o executivo, o mais provável é que o rendimento estaria atrelado a um percentual da Selic, e continuaria igual em todos os bancos.
Nas faixas de Selic estabelecidas pelo Governo para taxar as aplicações na poupança cima de R$ 50 mil, é prevista uma queda de até 7,25%, Hoje, a taxa básica de juros está em 10,25%. Se houver uma baixa ainda maior, como ocorre nos países mais ricos, a poupança terá um rendimento fora da realidade.
Seria, portanto, necessário fazer um ajuste que depende de mudança na lei.”Mesmo que haja condições de a Selic chegar a 6% em 2010, o Governo não faria isso porque precisaria mexer na poupança”diz Vertamati. Uma mudança tão profunda dependeria de convencimento do Congresso Nacional e seria difícil em ano eleitoral.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixaria para o seu sucessor a missão impopular de mexer no instrumento mais utilizado de aplicação financeira.
Para o economista Marcel Solimeo, da Associação Comercial de São Paulo,com a cobrança de imposto de renda para aplicações maiores, a poupança não deve ser obstáculo ao desenvolvimento do país enquanto estiver acima de 7%.”Para ficar abaixo disso, vai levar muito tempo”, opina.
Não há pressa para baixar IR
Segundo o ministro da Fazenda, Guido Mantega, não há pressa para reduzir o imposto de Renda sobre aplicações de renda fixa de curto prazo. A medida foi anunciada, na quarta-feira, para evitar a fuga de grandes investidores dos fundos para a poupança até o fim do ano. De acordo com o ministro, tudo vai depender da queda da Selic.”Pode ser até que não seja necessário.”
Ao simular rendimento das aplicações já com o IR menor, o matemático José Dutra Sobrinho concluiu que apenas os fundos com taxa de administração de até 1,5% ao ano podem render mais que a caderneta com a Selic atual. Mas o pequeno investidor tem dificuldade em encontrar taxas menores em fundos de curto prazo.
No Banco do Brasil, a taxa de 1% só vale para aplicação inicial de R$ 50 mil. Na Caixa Econômica Federal, a taxa para R$ 1 mil é de 3,10%
|