Maioria utiliza a caderneta para guardar dinheiro e não para obter rendimento
A maior parte dos investidores da poupança sentirá pouco as mudanças no cálculo dela, caso seja aprovada pelo Governo e depois no Congresso Nacional. Dados do Banco Central, de junho de 2008, mostram que a maior parte dos brasileiros em pequenas aplicações: 56% são de até R$100 e 93%, inferiores a R$ 10 mil.
Grande parte dos brasileiros deixa o dinheiro na poupança por um período curto. Apenas enquanto não está usando o dinheiro. Por isso, para a maioria deles uma alteração será pouco sentida”, avalia Ricardo Almeida professor de finanças do Ibmec – SP.
O maior impacto seria sentido por aqueles 7% que têm mais de R$ 10 mil, e que estão de fato reservando dinheiro nela por um período maior.
Já para o consultor financeiro Carlos Daniel Coradi a mudança afetará principalmente a baixa renda, o que seria injusto.” É a forma de investimento dessas pessoas e são elas que vão perder se mexerem nela.”
Os motivos
O Governo estuda mudanças na rentabilidade da poupança porque a tendência de queda da taxa básica da economia, a Selic, a rentabilidade dos fundos de investimentos cai. O principal objetivo é evitar que grandes investidores migrem para a poupança, o que poderia provocar desequilíbrio no mercado.
Entenda o Caso
O que
O governo estuda uma alteração para o rendimento da caderneta de poupança
Motivo
Evitar a migração de grandes aplicadores dos fundos de investimentos. A recente redução da taxa Selic, diminuiu os ganhos dos fundos e tornou a poupança mais atraente.
Como é
O rendimento da poupança hoje é de 6% ao ano mais TR, ou 0,5% ao mês mais TR.
Proposta
Uma das idéias é trocar a TR por uma parte da Taxa Selic como índice remunerador da poupança.
A mudança faria que os ganhos da caderneta ficassem menos atraentes.
Votação
Qualquer mudança precisa ser aprovada no Congresso Nacional.
Na Habitação
Se houver mudança, ela deverá afetar também os financiamentos habitacionais, que têm a TR como indexador.
Ao reduzirem os ganhos da poupança, os bancos terão acesso a recursos mais baratos. Por isso, o benefício deveria ser repassado ao cliente.
OS NÚMEROS
Últimos dados do Banco Central de junho de 2008
81,2 milhões
de brasileiros têm aplicações em poupança
56%
Têm na poupança valores entre R$ 0,01 e R$ 100
93%
Têm crédito de, no máximo R$ 10 mil
COLLOR AGORA ADMITE ERRO DE BLOQUEAR INVESTIMENTO
O ex-presidente e atual senador pelo PTB-AL Fernando Collor de Mello admitiu ontem que o bloqueio da poupança medida adotada por ele em 1990 a pretexto de conter inflação, foi um equívoco, e que “tropeços aconteceram” quando esteve na Presidência da República. As revelações foram feitas durante a gravação do Programa 3 a 1 , da TV Brasil.
“Naquela época, querendo fazer os ajustes de forma rápida, equivoquei-me. Certamente, eu não teria adotado um programa econômico que causasse tanto desassossego”, disse.
“Se tivesse outra chance”
O ex-presidente afirmou ainda que não repetiria o erro. “Se tivesse outra chance, não teria bloqueado a poupança de pessoas físicas e jurídicas.
Collor se recusou a classificar a medida como confisco. “A meu ver o que fizemos foi bloqueio (da poupança)”.
O ex-presidente admitiu ainda ter cometido outros “erros cruciais e fatais. “Entre eles, citou “a falta de diálogo com a classe política e com (políticos e empresários ) de São Paulo”.
O Plano Collor foi anunciado em março de 1990. Foram bloqueados saldos de contas correntes e das cadernetas de poupança acima de Cr$ 50 mil.
O dinheiro ficaria parado por 18 meses, rendendo 6% ao ano. Foram permitidos saques em certas situações.
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