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Crise no fiam do ano não afeta conquistas. Agora, luta é para manter emprego.
A crise não afetou as negociações salariais em 2008. Pelo menos é o que apontam os dados do Dieese (Departamento Sindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos), que mostram que, no ano passado,78% das 746 negociações salariais tiveram ganhos acima da inflação( média de 6,46%, seguindo as datas-base das categorias) .
Na comparação com índice de custo de vida do Dieese(ICV), o resultado foi melhor, de 98%.
O coordenador de relações sindicais do Dieese, José Silvestre do Prado Oliveira, explica porque as negociações salariais não sofreram os impactos do desaquecimento da economia.”A crise veio no fim do ano, quando a maioria dos acordos já estavam fechados”.
Porém, para a maior parte dos que tiveram aumento real, a diferença não foi grande, ficou entre 0,01% e 2%. Já os “sortudos” que tiveram ganhos acima de 5%, representam 0,4%. Do total, as categorias que recompuseram o índice chegaram aos 88%. Mas 12% tiveram aumentos abaixo da média.
A distribuição de aumentos reais favoreceu os trabalhadores da indústria, que lideraram a pesquisa com 87% dos acordos. No comércio, o total foi de 85%, e em serviços, 61,2%. A maioria dos reajustes salariais, 96,7%, foram pagos em uma única parcela. Apenas 3,1% tiveram aumento parcelado.
Mesmo que 2008 tenha sido o terceiro melhor ano em termos de reajuste desde 1996, na série história do Dieese, em 2009, o cenário será “adverso” e representa um desafio para os sindicatos, segundo Silvestre.
“Com a queda do emprego e da atividade econômica, os resultados das negociações coletivas podem ter uma piora.”
Representantes das centrais sindicais, que participaram da divulgação dos dados, concordam que a negociação será mais complexa. O vice-presidente da CTB, Nivaldo Santana, afirmou que em 2009 não será possível se limitar a discutir a variável(inflação), mas insistir na manutenção do emprego.
Já o secretário geral da Força Sindical, João Carlos Gonçalves, o Juruna, concorda que será mais difícil fechar acordos com aumento real. “Não podemos ficar só na negociação, mas na pressão conjunta”.
No próximo dia 30, as centrais farão marcha à Brasília para reivindicar medidas do governo e dos empresários que garantam emprego e renda.
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