Presidente se reuniu ontem com as principais centrais sindicais do país para discutir propostas e evitar cortes
Em uma reunião de cerca de três horas com dirigentes das seis maiores centrais sindicais do país, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva prometeu ontem que as novas reduções de impostos em estudo pelo Governo terão como contrapartida a manutenção dos empregos. Ou seja, as empresas só poderão se beneficiar da redução de impostos e contribuições se garantirem que não demitirão pessoal.
Os sindicalistas confirmaram que o Governo estuda mais desonerações de impostos, mas pretende condicionar como contrapartida às empresas beneficiadas a garantia do emprego. A assunto será discutido nos conselhos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) e do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).
Na próxima semana, segundo os sindicalistas, serão apresentadas novidades a respeito do seguro desemprego. As entidades defendem a extensão do benefício para dez meses, contra os seis meses atuais. Um participante da reunião revelou que o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, sugeriu que a expansão das parcelas seja vinculadas a cursos de qualificação.
Redução de juros
Lula garantiu para os sindicalistas que se reunirá amanhã com bancos para discutir a questão que mais agrava a crise: o custo do dinheiro e os juros altos, que diminuem o poder de compra do trabalhador.
Um dos pedidos dos sindicalistas é que o Governo interfira na reunião do Copom de amanhã, para reduzir a taxa de juros Selic em até dois pontos percentuais. “Enfrentar a crise tem a ver com diminuir juros”, disse o presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho. “A questão da crise é de crédito, não trabalhista”, completou o presidente da UGT, Ricardo Patah.
Segundo o presidente da CTB Wagner Gomes, Lula garantiu que fará reuniões quinzenais com as centrais para discutir as propostas e medidas para enfrentar as demissões.
O QUE ESTA NA MESA DE NEGOCIAÇÃO
CUT
Impostos
Isenção temporária da contribuição que incide sobre a folha de pagamento das empresas para o Sistema S.Com alíquotas que variam de 1% a 3%, as contribuições são descontadas das empresas e repassadas a entidades dedicadas ao treinamento e ao lazer dos empregados.
Redução da alíquota do INSS paga pelas empresas sobre a folha de salários de 20% para 14%.
Juros e crédito
Redução da taxa básica de juros, a Selic, que está em 13,75%
Redução dos spreads bancários (diferença entre o juro do crédito e o custo de captação dos recursos).
FORÇA SINDICAL
Redução da jornada e salário
Redução da jornada de até 25%, com corte do salário limitado a 15%
Banco de Horas
Pode haver acúmulo ilimitado de horas, mas a reposição não pode exceder 12 horas semanais.
Licença Remunerada
Suspensão temporária do trabalho por até cinco meses, desde que a empresa pague a diferença entre o valor do seguro.
Férias Remuneradas
O salário será pago normalmente durante a vigência das férias.
EMPRESÁRIOS
Redução de salário
Redução de até 25% na jornada, com 25% de corte no salário.
Suspensão temporária do trabalho por até cinco meses, com pagamento do seguro desemprego no período.
GOVERNO
Seguro desemprego
Ampliar as parcelas pagas do seguro desemprego para os trabalhadores demitidos.
Garantia de emprego
O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, chegou a propor que o Governo só conceda financiamentos com recursos do FAT e do FGTS para as empresas que garantissem o emprego de todos os funcionários.
|