Brasileiro deve trabalhar mais para se aposentar sem perder
 
 


Com aumento da expectativa de vida, benefício pode ser reduzido em até 1%.Segurado deve contribuir por mais quatro meses

 
 

 

Desde ontem, o brasileiro precisa trabalhar um pouco mais para se aposentar recebendo o mesmo que ganharia até sexta passada. O IBGE divulgou a expectativa de vida no país em 2007. De 72,28 anos em 2006, ela passou a 72,57 anos, ou três meses e 14 dias a mais. Com o aumento da longevidade, o fator previdenciário, usado para calculo das aposentadorias, aumentou, reduzindo o valor dos benefícios em até 1%. Para compensar a perda, o segurado deverá trabalhar de um a quatro meses a mais.

“ Para aquelas idades em que a expectativa de vida cresceu por volta de 72 dias,o achamento será de cerca de 0,80%. Para ganhos de 36 dias de 0,42%”, explica o consultor previdenciário Newton Conde. Existem casos, no entanto, em que a queda pode chegar a 1%. Essas situações, entretanto, são pouco representativas.

Para a advogada previdenciária Marta Gueller não há justificativa para adiar a aposentadoria só por esse motivo. “Vale a pena continuar a trabalhar e contribuir por tão pouco? O ideal é analisar caso a caso”, destaca.

Um homem com 57 anos de idade e 37 de contribuição, com média salarial de R$ 1 mil, por exemplo, ao dar entrada na aposentadoria desde ontem, em vez de receber R$ 836.53, passará a ganhar R$ 829.35, 0,86% menos ou R$ 7,18.

Os novos índices do fator valerão até 30 de novembro de 2009, quando uma nova tábua da vida será publicada pelo IBGE. Os segurados que pediram a aposentadoria até sexta terão seus benefícios calculados de acordo com os valores antigos. Para o presidente do Sindicato dos Aposentados da Força Sindical, João Batista Inocentini, nada mudou. “Você trabalha mais para melhorar o salário, e depois tem essas surpresas. É um calculo feito em cima de estimativas, que só confunde o trabalhador”, lamenta.

 

Benefício tem redução de até 13%
O fator previdenciário é considerado o grande vilão dos aposentados. Ao longo dos anos, o índice tem reduzido o valor das aposentadorias. Em 1999, quando foi criado, para um homem com 55 anos de idade, 35 de contribuição e média salarial de R$ 1 mil, o INSS concedia benefício de R$ 840,88.

Nas mesmas condições, o segurado recebe hoje R$ 725,59 ou 13,7% a menos. De acordo com projeções de Newton Conde, em 2015, essa diferença deve passar a 16,5%.

Para senador Paulo Paim (PT-RS), autor do projeto de lei que acaba com o índice, a alternativa a extinção do fator é aliar o tempo de contribuição com a idade mínima.

 

Vigília pelo fim do fator na Câmara
Os principais interessados no fim do fator previdenciário fazem vigília hoje a partir das 18:00 horas, na Câmara para pressionar os deputados aprovarem o projeto de lei 58, do senador Paulo PAIM(PT-RS).

Segundo o presidente do Sindicato dos Aposentados da Força Sindical, João Batista Inocentini, o fator é um critério maldoso. “Teve gente que perdeu mais de 50% no salário depois dele. O fim do fator significa a recuperação do poder de comprar do aposentado, diz.

“Faremos vigília com senadores e deputados para derrubar esse fator. A categoria teve perdas de mais de 90% por causa dele”, completa o vice-presidente de Cobap, Silberto Silva.

 

 

 


 
 

FONTE: DIÁRIO DE SÃO PAULO, 02 DE DEZEMBRO CADERNO ECONOMIA

 
     
 

 

 
 

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