Assessoria de Imprensa da Feticom-SP (Federação dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção e do Mobiliário no Estado de São Paulo)
Telefone (11) 3388-5766 – Data: 18-01-2012
 

Trabalhadores da construção civil: remuneração em alta

 
 

Por Carlos Eduardo de Souza – Diário da Região - São José do Rio Preto - 15/01/2012

A construção civil é um dos setores que melhor está remunerando trabalhadores com carteira assinada em Rio Preto , segundo pesquisa realizada pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Em novembro do ano passado, os trabalhadores de Rio Preto tiveram a segunda maior média mensal salarial com renda de R$ 1.182,97, ficando à frente de empregados da indústria da transformação, agropecuária, comércio, serviços e em indústrias de serviços públicos. A situação é fruto de aquecimento desse segmento da economia, o que resultou na falta de mão de obra qualificada.

De acordo com o vice-presidente da Federação dos Trabalhadores da Indústria da Construção e Mobiliário de Estado de São Paulo, Ademar Rangel, a categoria teve um dos maiores percentuais de reajuste salariais em 2011, com 18,4%. Com isso, servente e pedreiro registrados em carteira estão recebendo R$ 910 e R$ 1.086,80, respectivamente, valores que superam salários base de muitas categorias.

Rangel afirmou que a categoria conseguiu, inclusive, recuperar perdas salariais de 34% causadas pela inflação desde o ano 2000. “Para os trabalhadores, como engenheiros, que ganham mais do que o piso, o reajuste foi de 9,75%”. O diretor regional do Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon), Emílio Pinhatari, reconheceu que a falta de mão de obra contribui para elevar os valores pagos aos trabalhadores, mas explicou que antes de uma falta generalizada está ocorrendo uma falta de profissionais qualificados.

Estima-se que o setor da construção civil empregue 1,2 milhão de pessoas no Estado de São Paulo, com 250 mil trabalhadores atuando somente na Capital paulista e, como está ocorrendo em outros setores, o aquecimento da construção civil nos últimos anos revelou carência de mão de obra qualificada, que vai desde servente até engenheiros civis.

De acordo com o secretário do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Construção Civil e Mobiliário de Rio Preto (Siticom), Nelson Luis Ioca, a entidade conta com 16 mil trabalhadores filiados na região. E, desse total, aproximadamente, 10 mil militam na construção civil. O secretário do Siticom estima que existam mais 10 mil pessoas na informalidade na construção civil.

 

Remuneração

De acordo com levantamento realizado do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do MTE, o salário médio pago aos trabalhadores no mês de novembro passado em Rio Preto entre sete categorias foi de R$ 1.041,99. O setor de administração pública registrou a melhor média de remuneração, com R$ 1.849,56. A construção civil ficou com a segunda melhor média mensal, com R$ 1.182,97 à frente da indústria da transformação (R$ 1.099,11), agropecuária, extração vegetal, caça e pesca (R$ 1093,45), comércio (R$ 1.000,38), serviços (989,87) e serviços industriais de utilidade pública (R$ 971,67).

Segundo Rangel, a categoria obteve reajuste de 18% mais direito a cesta básica de 36 quilos ou R$ 140, geralmente pagos em tiquete para alimentação. “O salário básico de pedreiro era R$ 917 e foi para R$ 1086,80. Além disso, o setor obteve a unificação do piso do interior com a Capital.” “Um mestre de obras recebe, seguramente, R$ 2 mil por mês”, informou o engenheiro civil e professor do curso de Mestre de Obras, Rafael Panusso. Ele ministra curso particular para turma de 15 alunos, na sede do Siticom de Rio Preto.

 

Demanda está generalizada

Pinhatari disse que a maior demanda por mão de obra não está ocorrendo apenas em função de programas habitacionais, apesar da construção de imóveis pelo programa Minha Casa, Minha Vida ter grande importância. “É mais um dos setores da construção. Outros setores que não são contemplados pelo programa estão em crescimento e são muito mais importantes como, por exemplo, imóveis de médio e alto padrão e obras da indústria sucroalcooleira”.

Pinhatari disse que outro segmento em alta é o de autoconstrução, principalmente em condomínios fechados, de imóveis de alto padrão. Esse tipo de profissional, segundo Luis Ioca, é o profissional com mais experiência, que cobra entre R$ 100 e R$ 120 por dia trabalhado, mas que, em alguns casos, pode receber diárias mais altas. “Um bom profissional ganha entre R$ 3 mil e R$ 4 mil por mês.”

Há casos de obras contratadas por empreitada com um gestor ou de pedreiros que se associam, adquirem o lote e constroem o imóvel que será colocado à venda. Para Rangel, o problema é o trabalhador atuar na informalidade e não fazer conta dos seus direitos e nem contribuir com a Previdência Social.
Thomaz Vita Neto

Vanilda Lima espera melhorar de vida; depois de finalizar curso será encarregada de obras Setor atrai profissional com mais de 25 anos

O Diário foi a uma aula do curso de mestre de obras que se encerra neste mês no auditório do Sitcom e se deparou com uma classe formada por adultos com mais de 28 anos. De acordo com o secretário do Sitcom de Rio Preto, Nelson Luis Ioca, a maior parte da mão de obra que hoje trabalha no setor tem entre 30 e 40 anos, sendo comum encontrar pessoas de idade avançada nos canteiros de obras e em construções particulares.

Juliana Oliveira, engenheira civil da Rodobens Negócios Imobiliários, comanda um dos empreendimentos do grupo e afirmou que existem empregados de todas as faixas etárias trabalhando no setor, mas que o maior grau de estudo contribui para que os jovens prefiram trabalhar em outras áreas. Vanilda do Carmo Lima tem 39 anos, quatro filhos adultos e quatro netos. Trabalha para a J. Palácio, empresa prestadora de serviço na área e, segundo afirmou, a decisão de se tornar uma trabalhadora na indústria da construção ocorreu por dois motivos.

“Como meu marido é pedreiro e viaja, eu tinha que fazer alguma coisa para ficar junto dele”. Vanilda considera o emprego na construção uma alternativa de ganhar melhor e de subir na vida. Ela falou que, se a perspectiva salarial não fosse interessante, não estaria fazendo o curso. “Com esse curso, tudo o que eu vejo numa obra não é mais novidade. “Fazendo esse curso de mestre de obras eu já sou encarregada de obras”.
Thomaz Vita Neto

José Walderino aproveita para sanar as dúvidas da área

José Walderino é outro aluno do curso de mestre de obras que ocorre no Sitcom. Ele trabalha como autônomo e disse que a diária de pedreiro oscila entre R$ 100 e R$ 120. “Não faço a parte de encanamento nem elétrica, mas o que tinha de curiosidade e dificuldade estou aproveitando.” Bernardo Rodrigues dos Santos, 54 anos, é empregado da JA Miranda e decidiu fazer o curso para aprimorar o conhecimento. “A parte prática a gente conhece. No curso, a gente vê a parte teórica”.

Nair Catarina de Paula, 36 anos, disse que decidiu fazer o curso depois que viu anúncio publicado no jornal. “É uma coisa que eu gosto também”. Ela explicou que o noivo e vários conhecidos trabalham no setor e que o salário foi um dos fatores que a atraiu a fazer o curso de mestre de obras. Apesar de não estar trabalhando, Nair acredita que, assim que concluir o curso, arrumará emprego no mercado local.

 

Sérgio Alvares Martins, 48 anos, disse que começou na construção civil quando era menor de idade, mas por 11 anos esteve fora do setor, trabalhando em transporte de valores. “Estou fazendo o curso para me aprimorar.” Ele trabalha como encarregado de obra numa construtora e incorporadora. “Tem 24 empresas prestando serviço para a incorporadora.”
Thomaz Vita Neto

 

Rafael Panusso é engenheiro civil e dá aulas em treinamento Trabalhador volta a estudar

O bom desempenho do setor da construção está levando muita gente a ingressar, retornar à atividade ou até mesmo investir em melhor qualificação. O diretor regional do Sinduscon, Emílio Pinhatari, afirmou que a entidade realiza todos os anos cursos de qualificação para empresas filiadas.

Rafael Panusso é engenheiro civil e um dos professores da empresa Tecmatic, que está realizando desde março do ano passado “Curso de Mestre de Obras” no auditório do Sitcom de Rio Preto com duas turmas com 20 alunos cada. Ele afirmou que a procura pelo curso é grande, inclusive, por pessoas que já atuam na área. O valor da remuneração é o principal atrativo para o treinamento.

“Um turma tem aulas às terças e quintas à noite e a outra, aos sábados à tarde”. Além disso, os alunos fazem visitas agendadas a canteiros de obras para a retirada de dúvidas. Os cursos oferecidos pela regional do Sinduscon são ministrados em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) para os empregados das empresas associadas à entidade. “As inscrições estão abertas para os cursos de mestre de obras, carpinteiro de formas, instalador de dry wall, instalador hidráulico, pedreiro assentador, pedreiro revestidor, pintor de obras e eletricista instalador residencial.”

O Instituto da Construção foi lançado em novembro para aproveitar e atender a carência de mão de obra qualificada. De acordo com o diretor David Pinto, oferece cursos para formar profissionais para todas as etapas da construção com aulas teóricas e práticas para formar eletricista instalador, gesso acartonado, entre outros.

As turmas, segundo o diretor, devem ter até 20 alunos por turma com carga horária de oito horas semanais. “O principal diferencial é que teremos um espaço que foi especialmente desenvolvido para aulas práticas e oficinas técnicas de elétrica, pintura, hidráulica, azulejista, dentre outros. Dessa forma o aluno chega ao mercado com o conhecimento mínimo necessário para executar os trabalhos.”

 
 
Vanderlei Zampaulo – MTb-20.124
 
     
 

 

 
 

Rua Gualachos, 41 - Aclimação - CEP: 01533-020 - SP
PABX: (11) 3388-5766 - Fax: (11) 3277-5778 Email: feticom@terra.com.br
© Todos os direitos reservados a Feticom / SP - Desenvolvida por COMUNIMAX